A PACIÊNCIA TEM LIMITES

25-09-2009

«E a corda pode partir-se no sábado, no encontro nacional de chefias em Coimbra, pois não podemos tolerar a situação inadmissível criada pelo novo estatuto, em que chefes com 15 anos de serviço voltam ao início da carreira», afirmou à Agência Lusa Manuel Gouveia, presidente do sindicato, após uma audiência de pouco mais de uma hora com o intendente Oliveira Pereira.

Nessa reunião pretendeu-se ouvir o que têm a dizer os cerca de 2 000 chefes da PSP, «criar um espírito de corpo e ir para a luta, na certeza de que o que for decidido será levado à prática», referiu.

Com o novo estatuto, afirmam, muitos chefes da PSP ficam equiparados aos chefes que saírem agora da Escola Prática, sendo mesmo ultrapassados em termos de vencimento.

Os cerca de 2 000 chefes da Polícia contestam o facto do estatuto lhes permitir apenas dois níveis na carreira de chefia, exigindo pelo menos mais um patamar, alegando que existem seis níveis para chefias idênticas na GNR e nas Forças Armadas, não aceitando também que a lei sobre o regime de carreiras na Função Pública os tenha excluído da lista dos corpos especiais de segurança, de que aquelas duas instituições fazem parte.

«Será que a GNR tem os seus direitos defendidos por ter um general à frente? Será que também temos de ter um general a comandar a PSP? Pelo menos os generais dão a cara pelos seus homens», desabafou o dirigente sindical.

Manuel Gouveia referiu que o intendente Oliveira Pereira tem afirmado compreender e subscrever as reivindicações, mas até agora não viram qualquer resultado.

«Na PSP parece que só há oficiais e os outros», acusou, referindo que os chefes, que se definem como «elos de ligação entre os agentes e os oficiais», poderão deixar de exercer esse papel, em defesa da recuperação da dignidade e da autoridade da carreira.

«Nunca falámos ao ministro da Administração Interna em dinheiro, nunca fizemos reivindicações desse tipo, mas apenas em dignidade de carreira. Quando se entra para a PSP encontra-se agora um muro à frente, sem perspectiva de progressão, ao contrário do que acontece na GNR», acrescentou.

Na reunião de hoje, o intendente Oliveira Pereira disse, segundo os sindicalistas, que algumas das medidas gestionárias passariam por ele nos próximos dois anos e que iria fazer o possível para eliminar as injustiças, «mas isso é insuficiente», no entender do sindicato.

«É altura de obrigar a tutela a olhar para nós com seriedade», salientou, lamentando o facto do sindicato não ter ainda conhecimento da versão final do estatuto profissional da PSP, aprovado pelo Governo em princípios de Agosto.

Lusa / SOL